Contar ovelhas… sim sim…
Num dia destes dei por mim com insónias, pelo que decidi pôr em prática aquela técnica que é quase um mito, de que contar ovelhas ajuda a adormecer.
Bem, a experiência correu da seguinte forma…
Primeiro pensei, onde raio é que havia de encontrar ovelhas. A resposta era óbvia: no supermercado. No entanto as ovelhas que eu encontrei na grande superfície mais próxima da minha área de residência padeciam de um grande problema que consistia no fundo e na sua essência no seguinte: estavam mortas. Mortas, assim como quem bateu a bota. Eu ainda tentei meter conversa com uma ou duas mas nada. Silêncio total.
Perguntei à senhora da secção se se tinha certificado de que realmente aquele gado estaria falecido, aplicando para esse efeito um choque eléctrico numa ou duas. A senhora respondeu-me prontamente que sim, e que se eu não estivesse convencido, que me assegurava que as tinha esventrado, estripado, cortado em pedaços pequenos, e embalado para posterior venda e quiçá comercialização.
Ainda pouco convencido, optei por me dirigir ao sítio mais óbvio a seguir ao supermercado, onde as pessoas têm o hábito de procurar ovelhas: a loja de ovelhas. Procurei pela placa que dizia “loja de ovelhas” e lá entrei eu:
- “Boa tarde!”
- “Boa tarde não, boa noite, dado que acabam de passar precisamente 3 segundos das 20 horas e zero minutos”, respondeu-me o homem, com cara de quem tinha estado a comer batatas fritas.
- “E que diferença é que isso faz?”, inquiri eu, indignado.
- “Até ás 19 horas, 59 minutos e 59 segundos seria boa tarde. A partir desse momento, que é como quem diz a partir das 20 horas, 0 minutos e 0 segundos, já é boa noite. No entanto, se decidirmos tomar como unidade de medida o milisegundo…”
- “Pronto homem, já chega! Boa noite! Eu queria comprar ovelhas.”
- “Sim senhor! E de quantas ovelhas estaríamos nós a falar?”
- “Ora… eu espero adormecer rápido, por isso cerca de poucas deveria chegar… dê-me aí umas 500.”
- “Muito bem, aqui estão as ovelhas. É para oferecer, quer que embrulhe? Ou vai levá-las mesmo assim?”, perguntou acutilantemente o senhor comedor de batatas fritas.
- “Não, não se incomode! É para contagem caseira! Até um dia!”, respondi eu, despedindo-me da curiosa criatura, que aparentava não há muito ter comido batatas fritas, e abandonei o estabelecimento.
Ora, nisto parto eu com as 500 ovelhas debaixo do braço, num saco, disposto a adormecer rapidamente mal pusesse o plano contabilístico em prática.
Tentei, o mais fielmente possível, reproduzir o cliché do grupo ovino que salta alegremente sobre uma estaca, na falta de melhor, usando uma mesa virada para servir os propósitos do referido obstáculo.
Então, ovelhas de um lado, mesa do outro, e eu na minha confortável cama a assistir e pronto a começar a dita contabilidade.
No entanto, aqui começaram os problemas. O maldito dito cujo gado recusava-se a saltar. “Salta! Salta! Salta, sua besta ordinária!”, vociferava eu às estúpidas criaturas. E elas nada. “Salta, sua ascendente a novelo de lã! Salta para que eu te possa contabilizar de modo a obter aquele efeito extremamente enfadonho que posteriormente me vai proporcionar o chamado tranquilo e descansado sono!”
Nada…
A besta irritante recusava-se a ultrapassar o obstáculo materializado pela mesa deitada.
“Pronto, não queres saltar? Anda à volta então!”, suplicava eu àquela imperfeição da natureza.
E nisto o ovino começa a dispersar. Que é como quem diz, a fugir. E eu atrás delas… já arrependido de ter comprado 500! Ainda peguei numa daquelas redes para apanhar borboletas mas nada feito… As ovelhas lá iam, a correr mais que eu, e algumas a gozar ainda por cima: “méeeee, méee!”. E pronto…
Isto queria eu ter uma noite descansada, e acabei a correr atrás de 5 centenas de animais palermas como uma porta (ou pior, como uma ovelha) pela rua fora. Estragada a minha noite de sono, pergunto eu: QUEM FOI A BESTA QUE DISSE QUE CONTAR OVELHAS AJUDAVA A ADORMECER? EU TENTEI CONTAR UMA E DEI POR MIM A CORRER ATRÁS DE QUINHENTAS PELA RUA FORA!
E pronto, foi mais um capítulo neste excelso blog. Não perca num post próximo, a olimpíada em que eu quase acertava num dos ovinos com uma caçadeira.
Até já.

Deixar uma Resposta